sexta-feira, agosto 22, 2008

Uma grande verdade...

"Quando damos uma oportunidade às pessoas e as deixamos retratarem-se dos seus erros, grandes coisas acontecem e eu sou o exemplo perfeito disso." disse Eric Lamaze, cavaleiro canadiano vencedor da Medalha de Ouro Individual em Saltos de Obstáculos. "Não podemos desistir das pessoas, elas podem fazer coisas fantásticas nas suas vidas, não importa o que tenha acontecido anteriormente."

in Portal Equisport, 22/08/2008

Eric Lamaze fora afastado, por duas vezes, da Equipa Olímpica do Canadá por consumo de cocaína. Recorreu das sentenças e venceu, no tribunal, vencendo agora a mais dura batalha de todas que um ser-humano pode travar: a da vida.
Em Pequim, Lamaze levou para casa o Ouro Individual e a Prata por Equipas, na disciplina de Saltos de Obstáculos.
Escolhi escrever este post não porque apoie o que o atleta fez no passado mas por aquilo de que tomou consciência: errou, falhou e trabalhou para se redimir. Teve a oportunidade e agarrou-a. Outros há que têm as oportunidades e deixa-nas ir. Outros há ainda que, por mais que procurem uma oportunidade, ela não aparece.
Todos nós, num passado mais ou menos distante, cometemos erros ou falhamos nos nossos objectivos. Infelizmente, não depende tudo de nós. Conseguir ultrapassar os obstáculos da vida, contornar os dissabores e superar as derrotas depende também daquilo que os outros (sejam eles pessoas do domínio público ou privado, com responsabilidade estatal ou não) nos permitam fazer.
É que, às vezes, deparamos com obstáculos maiores que montanhas.
E muitas vezes são os nossos semelhantes que os colocam...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Lusitanos Olimpicos

Bem, para quem acompanhou as provas dos nossos Lusitanos sabe que pouco mais se podia esperar da sua participação. Chegar às medalhas, neste desporto, implicava um maior investimento financeiro e uma outra visão sobre o desporto, que em Portugal se resume ao esforço pessoal de cada atleta, seja em que disciplina for.
No caso do hipismo, essa abordagem implica um sem número de coisas (que não vale a pena especificar para não ferir algumas susceptibilidades). Para quem anda no meio ou conhece minimamente este desporto só terá uma linha de pensamento: "Somos portugueses contra alemães, holandeses e finlandeses e montando Lusitanos contra Hanoverianos, KWPN e Holsteins. Chegar aos Jogos Olímpicos com cavalos Lusitanos já é uma Medalha de Ouro conquistada!"
Para quem não conhece nada deste meio a única coisa que pensará é: "Bolas pá, não fazem nada... andam lá a gastar o dinheiro dos contribuintes só para passear!" A esses, os amantes, praticantes e profissionais dos cavalos respondem: "Até parece que no futebol se faz alguma coisa de jeito..." Enfim, será sempre a eterna guerra...
Fazendo o balanço final, podemos dizer que no todo até foi positivo. Alguns percalços no caminho, com o Nilo V.O. (Brasil) a ser eliminado na avaliação veterinária e a Oxalys da Meia-Lua (Portugal) a empinar-se a meio da prova, assustada com o monstruoso monitor de projecção, que aumentava os bichinhos em 10x... situação pela qual também passou Stachmo, da campeã alemã Isabel Werth e quase a fez perder o Grande Prémio Especial... já nos treinos vários cavaleiros se haviam queixado à organização contra o monitor, inclusivamente Stachmo se havia empinado de tal maneira que, por sorte, não caiu sobre as costas...
Há que não esquecer que aqui competem dois seres vivos, com vontades diferentes e que a vontade do animal é mais dificil de gerir do que a vontade humana... no entanto, há vontades de ferro. Hayley Beresford é dona de uma delas: há três anos foi-lhe diagnosticado cancro da mamã e apesar dos violentos tratamentos a que esta doença é sujeita, nunca deixou de montar o seu Relâmpago e prepará-lo para estes Jogos Olímpicos.
Essa vontade levou Relâmpago do Retiro a conseguir um brilhante 19º lugar no Grande Prémio Especial.
No final, o balanço da participação foi esta:
GRANDE PRÉMIO ESPECIAL
Hayley Beresford c/Relâmpago do Retiro (AUS) - 19º lugar
GRANDE PRÉMIO
Hayley Beresford c/Relâmpago do Retiro (AUS) - 26º lugar
Daniel Pinto c/Galopin de la Font (POR) - 33º lugar
Carlos Pinto c/Notável JCL Puy du Fou (POR) - 39º lugar
Luíza Almeida c/Samba (BRA) - 40º lugar
Leandro Aparecido c/Oceano do Top (BRA) - 43º lugar
Miguel Ralão Duarte e a sua Oxális da Meia Lua retiraram, pois o valente susto da Oxális seria fortemente penalizado, para além de a ter desconcentrado totalmente e ter perdido a capacidade de executar o resto da prova nas mínimas condições.
Nestes Jogos Olímpicos, contudo, ficou a mensagem de que o Cavalo Lusitano tem um enorme potencial a ser desenvolvido. Foi a 2ª raça com maior número de cavalos presentes (bem à frente de nuestros hermanos, com o seu Fuego XII - 16º lugar da geral e único Pura Raza Española) e representou 3 países: Portugal, Brasil e Austrália.
Há ainda um longo caminho a percorrer mas, para isso, era preciso que o Estado e a Nação fossem outros. Ao contrário de que acontece em Portugal, Fuego XII é propriedade do Estado Espanhol... se o mesmo acontecesse em Portugal, nem nos aos Europeus chegaríamos....

segunda-feira, agosto 04, 2008

Selecção Lusitana!

Jogos Olímpicos, para mim, têm um significado muito especial. Não apenas por terem feito parte dos meus sonhos de criança (oh meu Deus, como as crianças têm uma capacidade estupidamente grande de acreditar...) como valem muito mais do que Euro's e Mundiais de futebol (pronto, ok, há lá umas carinhas loracas e umas peitaças e pernocas que eu não me importava de conhecer pessoalmente mas estamos a falar de desporto e da representação da nossa bandeira e de ouvir o nosso hino e tal e tal). E não falemos dos Para-olímpicos que, esses sim, me enchem de orgulho e motivação para não me queixar da vida!

Esta edição, para mim, é muito mais especial (lá se vão as minhas horinhas de sono...). Por vários motivos:

1º - temos a maior participação de sempre, em número de atletas;
2º - temos 3 cavaleiros a defenderem as nossas cores na disciplina de Dressage;
3º - estes 3 cavaleiros têm como parceiros de equipa 3 cavalos LUSITANOS;
4º - a selecção brasileira também será representada por 3 cavaleiros, montando, TODOS eles cavalos LUSITANOS;
5º - pela selecção australiana irá também tem na sua equipa um cavalo LUSITANO a defender a bandeira do país dos cangurus.

Contaram bem??? São 7!!! SETE CAVALOS LUSITANOS nos J.O.!!!!
Ou seja, é a 2ª raça com maior expressão nos J.O., atrás dos Hannover (alemães)!!!
Há 15 anos, o Lusitano era um perfeito desconhecido, pouco mais servia do que para toureio.
Agora é a 2ª raça com mais representantes nuns J.O.. Isto demonstra bem as suas capacidades e o esforço que, finalmente, se tem feito para o seu apuramento/melhoramento, divulgação e promoção. Uma aposta efectivamente ganha, independentemente dos resultados que venham a alcançar nestes J.O.!

Digam lá se não é motivo mais do que suficiente para perder umas horas de sono e assistir às suas provas??
Independentemente do país que representam, estou a torcer por eles! Torçam vocês também! Não somos só feitos de Futebol...

Aqui vai o portfólio da SELECÇÃO LUSITANA ;-)

Portugal

Miguel Ralão Duarte com "Oxális da Meia-Lua"


A importância da sua participação é tanto maior se tivermos em conta que a sua montada é uma égua, animal muito pouco considerado pelos criadores nacionais que consideravam apenas as suas características morfologicas para a procriação. No entanto, de há uns anos a esta parte, temos assistido a uma alteração das mentalidades que entenderam que um bom cavalo tem de ter um bom pai e uma boa mão, tanto morfologicamente como desportivamente.

Carlos Pinto com "Notável JCL Puy du Fou"

"Notável JCL Puy du Fou" é um Lusitano, nascido em Portugal, de 14 anos, e que trabalha em conjunto com Carlos Pinto há apenas 3.
Carlos Pinto é o irmão mais velho de Daniel Pinto, o 3º cavaleiro da nossa Selecção, e o representante mais velho de toda a Comitiva.


Daniel Pinto com «Galopin de la Font»

Este cavaleiro regressou a Portugal há 7 anos, é treinado por Kyra Kyrklund (cavaleira olímpica filandesa e presente em Hong Kong) está a trabalhar arduamente na promoção e desenvolvimento desportivo do Cavalo Lusitano.


Daniel Pinto fará a sua 2ª participação em Jogos Olimpicos. A 1ª foi em Sidney 2000, com o fantástico "Weldon Surprise", cavalo de raça Hannover, e que obteve o 27º lugar da geral.





















Austrália

Hayley Beresford com "Relâmpago do Retiro"

Hayley vive e monta na Alemanha, com Isabell Werth, também ela elemento da equipa de Dressage mas a defender as cores da Alemanha, e amazona n.º 1 do Raking Mundial.



"Relâmpago do Retiro" é um Lusitano nascido no Brasil, filho de um garanhão importado e está apenas há 3 anos a competir na Europa, o que demonstra a grande vontade desta raça, em colaborar com o seu cavaleiro e a sua aptidão natural para esta disciplina-base de toda Equitação.

Hayley chegou mesmo a dizer: "Estou realmente muito feliz em ser parceira de um cavalo tão especial. Muitas vezes dou comigo a conversar com ele nas boxes."


Brasil

Leandro da Silva com "Oceano do Top"


Também "Oceano do Top" é um Lusitano brasileiro, filho de um garanhão importado. É criação da Coudelaria da Meia-Lua, do Tonico Pereira, que foi um dos primeiros embaixadores da raça lusitana no Brasil.

Leandro já havia defendido as cores do Brasil com um Lusitano nos Jogos Pan-Americanos, em 2003.


Rogério Clementino com "Nilo V.O."

Mais um Lusitano e este com uma história peculiar: era apenas cavalo de passeio da coudelaria Ilha Verde (São Paulo, Brasil) e já havia sido dado como presente, pelo seu criador, em duas ocasiões e até vendido, sendo recomprado pelo criador por R$ 15 mil. Quando Rogério começou a trabalhar nesta Coudelaria, pediu para montá-lo e, ao fim de apenas 6 meses, tornou-se campeão do Brasil.


Este cavaleiro, bi-campeão de rodeo em 2006, consegue a proeza de ser o 1º negro da história da Dressage a nível Olímpico, tendo começado a praticar esta disciplina há apenas 7 anos.

Luiza Almeida com "Samba"

Esta miúda (sim, tem apenas 16 aninhos), acumula a proeza de ser a mais jovem cavaleira de todos os tempos no hipismo a atingir um patamar tão elevado.



"Samba" é um Lusitano importado para o Brasil e tem APENAS 9 anos.
(imagens gentilmente cedidas pelo GOOGLE :-D )
(Desculpem o atraso na publicação mas o portátil foi internado e trabalhar e pesquisar não dá lá muito jeito...)