sexta-feira, junho 13, 2008

Noruega... dá que pensar!

Dia após dia nos vemos confrontados com o decréscimo do nível de vida pelos consequentes aumentos dos nossos bens e serviços. Pedimos incessantemente ao Estado que nos valha e acuda. Mas... não nos caberá a nós mesmos, cidadãos de um estado democrático, fazer alguma coisa por isso?

Deixo-vos aqui um e-mail que recebi de um familiar, para vossa reflexão.

"Na Noruega, o HORÁRIO DE TRABALHO COMEÇA CEDO (às 8 horas) e ACABA CEDO (às 15.30). As mães e os pais noruegueses têm uma parte significativa dos seus dias para serem pais, para proporcionar aos filhos algo mais do que um serão de televisão ou videojogos. Têm um ano de licença de maternidade e nunca ouviram falar de despedimentos por gravidez."

"A riqueza que produzem nos seus trabalhos garante-lhes o maior nível salarial da Europa. Que é também, desculpem-me os menos sensíveis ao argumento, o mais igualitário. TODOS DESCONTAM UM IRS LIMPO E TRANSPARENTE que não é depois desbaratado em rotundas e estatuária kitsh, nem em auto-estradas (só têm 200 quilómetros dessas «alavancas de progresso»), nem em Expos e Euros."

"É tempo de os empresários portugueses constatarem que, na Noruega, a fuga ao fisco não é uma «vantagem competitiva». Ali, o CRUZAMENTO DE DADOS »DEVASSA» as contas bancárias, as apólices de seguros, as propriedades móveis e imóveis e as «ofertas» de património a familiares que, em Portugal, país de gentes inventivas, garantem anonimato aos crimes e «confundem» os poucos olhos que se dedicam ao combate à fraude económica."

"Mais do que os costumeiros «bons negócios», deviam os empresários portugueses pôr os olhos naquilo que a Noruega tem para nos ensinar. E, já agora, os políticos. Numa crónica inspirada, o correspondente da TSF naquele país, afiança que os MINISTROS não se medem pelas gravatas, nem pela ALTA CILINDRADA das suas frotas. Pelo contrário, ANDAM DE METRO, e não se ofendem quando os tratam por tu. Aqui, cada ministério faz uso de dezenas de carros topo de gama, com vidros fumados para não dar lastro às ideias de transparência dos cidadãos. Os ministros portugueses fazem-se preceder de batedores motorizados, poluem o ambiente, dão maus exemplos e gastam a rodos o dinheiro que escasseia para assuntos verdadeiramente importantes."

"Mais: os noruegueses sabem que não se «projecta o nome do país» com despesismos faraónicos, basta ser-se sensato e fazer da gestão das contas públicas um exercício de ética e responsabilidade. Arafat e Rabin assinaram um tratado de paz em Oslo. E, que se saiba, não foi preciso desbaratarem milhões de contos para que o nome da capital norueguesa corresse mundo por uma boa causa."

"Até os clubes de futebol noruegueses, que medem forças aos seus congéneres lusos em competições internacionais, NUNCA precisaram de pagar aos seus jogadores 400 SALÁRIOS MÍNIMOS POR MÊS para que estes joguem à bola. Nas gélidas terras dos vikings conheci empresários portugueses que ali montaram negócios florescentes. Um deles, isolado numa ilha acima do círculo polar Árctico, deixava elogios rasgados à «social-democracia nórdica». Ao tempo para viver e à segurança social." "Ali, naquele país, também há patos-bravos. Mas para os vermos precisamos de apontar binóculos para o céu. Não andam de jipe e óculos escuros. Não clamam por messias nem por prebendas. Não se queixam do «excessivo peso do Estado», para depois exigirem isenções e subsídios."

Sim, a Noruega é um dos melhores países da Europa para se viver. Mas os seus nativos fazem por isso também! Não há lá Tuguinhas (no sentido depreciativo do adjectivo)...

Sim, eu também sei que sou uma chata.

9 comentários:

Maria Manuela disse...

É por estas e outras que quero acabar o curso e emigrar...

bjo

Kikas disse...

E fazer força para que se consiga ter cá o que se tem lá? Como por exemplo a fuga aos impostos?

Rocket disse...

lembro-me de anos atrás ouvir um senhor holandês, dono da maior agência de viagens da altura, lamentar-se da chatice que era trocar de carro:"eu quero é acabar o dia e apanhar ainda uma grande fatia de sol para jogar golfe, ou andar de bicicleta...que maçada, ter que andar a escolher um carro caro qualquer por causa do negócio..."

aqui qualquer bardamerda nem come pra ter um topo- de-gama...

Miguel F. Carvalho disse...

mas pagam taxas de IRS mensais de 40%...

mtheman disse...

não vejo aí é qualquer referência à produção de petróleo e gás natural... sim, que a qualidade de vida dos noruegueses não cai do céu...

a fuga aos impostos no nosso país resolvia-se facilmente... assim houvesse vontade política...

Kikas disse...

Rocket,
pois é... e depois choram que não têm dinheiro para os sustentar... aqui há dias parti-me a rir numa bomba de gasolina aqui em Lisboa quando um senhor chegou à caixa para pagar 10€ de gasóleo... numa Mercedes classe E com 6 meses de matrícula, se tanto! Devia ser o suficiente para chegar até ao stand e devolvê-la :-DDD

Miguel,
assim se justifica que tenham as tais regalias sociais que têm (1 ano de licença de maternidade)! Certamente não é a fugir ao Fisco e a pagar os nossos escalões de IRS que se sustentam as baixas por maternidade ou doença, como as deles :-)

Mtheman,
A qualidade de vida deles é também dependente daquilo que produzem. Ao contrário de nós, os Noruegueses souberam aproveitar os seus recursos naturais.
Nós também podiamos ser grandes produtores energéticos mas não estamos para aí virados. Temos muito por onde produzir energia (rios, mar, sol e vento). Porque é que continuamos a ter uma factura energética tão grande quando poderiamos auto-subsistir? Porque é que o parque de páineis solares da Amareleja esteve mais de 10 anos para sair do papel?
Eram algumas questões que os portugueses deveriam pressionar o Governo apra obter resposta em vez de apenas se lembrarem do ISP e do aumento do preço dos combustíveis (que têm uma explicação bem lógica mas a malta tem é preguiça mental).

A vontade vai aparecendo, foi preciso foi aparecer um Paulo Macedo a impôr ordem (e a levar a carteira gordita para casa todos os meses mas sou apologista de que o dinheiro foi bem gasto; ninguém trabalha de graça e os bons fazem-se pagar bem). Pena é que os invejosos dos tugas não saibam reconhecer isso. São como os macacos, coçam para dentro! Para eles tudo e ainda é pouco, os outros nunca merecem o que ganham.

mtheman disse...

minha cara amiga,

tu preferes pagar o kw de electriciade a 70 centimos ou a 11 centimos?

é que o custo de obter energia pelas chamadas renováveis é muito mais caro que queimar petróleo ou carvão...

não sei se sabes mas se te quiseres tornar produtora de energia já podes... vão te comprar a energia que produzires a cerca de 70 cêntimos e vende-la a 11 cêntimos... faz sentido? faz, porque vai ser o estado a suportar o diferencial, ou seja, vamos estar nós a pagar...

mais, acabaram com o bonificado para comprar casa, mas vai haver crédito bonificado para instalares paineis solares... e ainda podes deduzir no irs mais do que obténs com os juros da habitação...

uma instalação destas rondará sempre os 30 mil euros... tás a ver quem é que vai beneficiar deste tratamento preferencial...

e o problema do armazenamento... durante a noite os paineis solares não produzem energia... e se não houver ondas ou vento, como é... existem baterias, mas estas tem custos ambientais e economicos ainda mais elevados...

a solução válida em minha opinião seria o nuclear... mas isso seria outro debate de ideias :)

Relativamente ao sr. paulo macedo,

acho que 10 anos a trabalhar dentro da máquina fiscal me permitem ter toda a legitimidade para poder comentar o trabalho desse senhor que se limitou a aproveitar o trabalho que vinha detrás, com uma diferença... fazia publicidade e tinha a imprensa do seu lado...

por muito que te esforces não vais conseguir indicar-me uma única medida implementada de raiz ou uma única inovação da responsabilidade deste senhor...

relativamente ao sr. paulo macedo existe um provérbio muito apropriado: "com papas e bolos..."

Xisko the kid disse...

kikas,

sim é verdade, a noruega é isso tudo e muito mais.
mas não esquecer que os nórdicos são a região do mundo, tirando os paises em guerra, onde a taxa de suicidio é das mais altas do mundo.

Kikas disse...

Mtheman,
não, nada do que disseste é novidade para mim. Mas o que também não é novidade para ninguém são os custos que o petróleo e a energia nuclear trazem.
Se achas que o Estado pode suportar o aumento dos combustíveis, como fazia antes da liberalização, porque é que não pode suportar a instalação de equipamentos de energia renovável? Não será o critério o mesmo, com a diferença de que podemos prolongar um pouco mais a nossa estadia aqui na Terra?
Porque é que, no Bahrein, um país petrolífero foi construído empreendimento em que 10% da energia é obtida por meio de 2 geradores de vento? Têm lá petróleo para gastar à vontadinha!

Quanto ao Sr. Paulo de Macedo, não vou contestar a tua opinião, pelos motivos que mencionaste. Apenas falo do que vejo. Pela vontade dos portugueses, ninguém pagava impostos e toda a gente vivia de papo para o ar, caía tudo do céu... No Éden só existiu na Bíblia!


Xisko,
que bom ver-te aqui!
É verdade, Noruega, Suécia... onde não há sol não há vontade de viver :-)
Volta, volta :-)))