segunda-feira, junho 02, 2008

Matança de espírito

Tenho uma professora que me castra. Calma, calma! Sim, sou eu, A Kikas, ainda não estão com o neurónio queimado!
Castra-me a palavra, castra-me o discurso, castra-me a imaginação (ou o raciocínio, consoante me sinta mais feliz e aérea ou mais realista e pé-no-chão), castra-me a tentativa de proferir um discurso lógico...

E a castração é tão ou mais incompreensível sendo ela docente de uma licenciatura e de uma disciplina com algum teor de ensino de discurso coerente e querendo ensinar-nos a verbalizar ideias e aumentar a nossa cultura geral pela leitura da escrita de outros, laureados e muito, nestas artes da transmissão de pensamentos e ideias pelas palavras.

Não quero louros, não, nada disso! A minha escrita é aquilo que me flui pelos dedos, que me escorre pelas ideias, que se embrulha nos meus pensamentos (e que embrulhanços de vez em quando!). A minha escrita é o que sou e o que sou, muitas vezes, é um novelo de mim própria. Sou eu voltada para fora, vista do lado de dentro na perspectiva de um prisma olhado de todos os vértices ao mesmo tempo (bolas, miúda, faz lá o desenho que ninguém apanhou nada!)...

E se bem que tento usar a escrita para me desembrulhar dos meus novelos, torna-se mais difícil quando um professor de Expressão Escrita e Comunicação passa a vida a interromper e a criticar o que, para além de cortar a linha de pensamento, quebra a confiança no que se quer dizer. E, claro, Kikas em fúria, espicaçada como que com um ferro em brasa, amarra o burro e já não desenvolve (tem mau-feitio, a menina!)...

Ora se as ideias já são confusas, com estas constantes interrupções e cortes no discurso (escrito ou falado) fica difícil ser simples, concreta, concisa e explanativa. E eu (e vocês) continuamos na mesma: baralhados no contexto!

Sendo conhecida pelo meu mau-feitio, torno-me ainda mais irascível quando não me consigo desembrulhar das ideias e pensamentos, de forma simples e perceptível para os outros. E a fúria vai crescendo por não me conseguir fazer compreender... com alguém sempre a castrar-me o discurso, torna-se difícil adoçar o mau-feitio. Mordo a língua, as bochechas, mordo-me toda por dentro, só para não dar asas à pestinha que há em mim e perder a cadeira com algumas verdades à espreita na ponta da língua!

Não procuro ser um Saramago ou um Eugénio de Andrade, não quero ser um Pessoa ou um Camões. Procuro apenas arrumar ideias e saber partilhá-las. Procuro que compreendam a minha maneira de ser e de pensar e que deixem de olhar para mim como a razinza que está sempre do contra. Porque às vezes até concordo com os outros. Só não consigo é entender-me com eles...

E esta croma, em vez de me ajudar a verbalizar, corta-me a palavra e entope-me a boca destes pensamentos desalinhados!

Fiónix!

P.S.: apesar das semelhanças com outros posts de outros blogs, eu juro aqui de pés juntos (que me caia já uma placa de tecto falso no alto da pinha se estou a mentir) que este post é 100% meu! Tenho testemunhas que presenciaram a escritura deste alinhamento, e em papel, durante a aula de TCE :-))


2 comentários:

mtheman disse...

tens que fazer como os políticos na televisão... ou então passas a interromper a gaja também ;)

Kikas disse...

Mtheman,
a malta tenta mas acaba sempre atingida por um perdigoto voador!
Daí que não há quem ouse contrariá-la! A menos que vá prevenida de guarda-chuva e gabardine!
:-))))